Integrais Triplas
Objetivos de Aprendizagem
- Montar uma integral tripla sobre uma caixa ou sobre um sólido limitado por superfícies, escolhendo a ordem de integração e escrevendo cada limite como função das variáveis que ficam fora dele.
- Enunciar as condições sob as quais uma integral tripla pode ser calculada em qualquer ordem, e as condições do teorema de mudança de variáveis em três dimensões.
- Calcular um jacobiano e deduzir os fatores (cilíndricas) e (esféricas), incluindo a faixa de que torna o fator válido.
- Calcular volume e massa, e estimar um volume por amostragem Monte Carlo, notando como o erro escala.
Contexto e Motivação
Uma integral tripla soma uma quantidade espalhada por um sólido: a massa de um corpo cuja densidade muda de ponto a ponto, o volume de uma região curva demais para fatiar, ou a posição do seu centro de massa. Com ela dá o volume, a mesma grandeza que o fatiamento calcula em applications-area-volume-and-average-value, agora sem precisar de uma fórmula para a seção transversal.
O trabalho tem duas partes: descrever o sólido e escolher as coordenadas em que essa descrição é simples. Uma bola é incômoda em , pois os limites de dependem de por uma raiz quadrada e os de dependem de ambos, mas em coordenadas esféricas ela é uma caixa. A lição anterior, double-integrals-cartesian-and-polar, construiu as ferramentas usadas aqui: integrais iteradas, o teorema de Fubini e o jacobiano. Esta lição estende cada uma delas por uma dimensão.
Teoria Central
Integrais triplas sobre caixas
Para uma caixa , divida-a em caixas pequenas de volume , amostre em cada uma e some . O limite, se existe, é , e ele existe quando é contínua em . O teorema de Fubini diz então que, quando é contínua na caixa fechada, a integral é igual a uma integral iterada em qualquer uma das seis ordens de . Como em duas dimensões, a versão geral exige , e Tonelli cobre . Uma função que não cumpre isso pode dar valores iterados diferentes em ordens diferentes, como mostra o exemplo da lição anterior.
Regiões sólidas
Um sólido é do tipo 1 se fica entre duas superfícies sobre uma região plana :
com contínuas e uma região do tipo I ou II. Para contínua em ,
A regra para os limites é que a integral mais interna pode depender das duas variáveis externas, a do meio da mais externa, e a mais externa apenas de constantes. Duas aplicações usam isso diretamente. O volume de é . Para uma densidade a massa é , e a coordenada do centro de massa é , e de modo análogo e .
Mudança de variáveis em três dimensões
Se leva um sólido sobre , o jacobiano é
Mudança de variáveis. Se é , injetora no interior de e tem jacobiano não nulo no interior de , e se é contínua em , então
O determinante é o fator de escala do volume: uma pequena caixa é levada, em primeira ordem, a um paralelepípedo gerado pelas três colunas da matriz, e o volume desse paralelepípedo é o valor absoluto do determinante vezes . Como em duas dimensões, os pontos excepcionais onde a injetividade ou o jacobiano não nulo falham devem formar um conjunto de volume zero.
Coordenadas cilíndricas
Mantenha e use coordenadas polares no plano : , , . O jacobiano é , então . A aplicação é injetora para e , e o jacobiano só se anula no eixo , que tem volume zero. É a escolha quando o sólido tem um eixo de simetria, como em polar-coordinates, mas levado para o espaço.
Coordenadas esféricas
Seja a distância até a origem, o ângulo a partir do eixo positivo e o azimute, como nas coordenadas polares:
O jacobiano em relação a é , então . A convenção importa: esta lição, como o OpenStax, usa para o ângulo a partir de , enquanto muitos textos de física trocam os nomes e , então uma fórmula de outra fonte precisa ser conferida antes do uso. O fator só é não negativo porque , e a aplicação é injetora em , , . O jacobiano é zero em e no eixo (), um conjunto de volume zero.
Se puder passar de , a aplicação deixa de ser injetora. Com o fator com sinal integra sobre a bola, e o valor absoluto cobre a bola duas vezes, dando em vez de .
Exemplos Resolvidos
Exemplo 1: um tetraedro, em coordenadas cartesianas
Seja o tetraedro , . Os limites são , , . O volume é
Para a densidade a massa é , e integrar com por dentro e por fora também dá , como Fubini promete. O momento , então . Com densidade uniforme o centroide está em , de modo que a densidade que cresce com a distância da origem empurra o centro de massa para fora. Todos os valores coincidem com a quadratura tripla numérica.
Exemplo 2: coordenadas cilíndricas
Ache o volume entre e . As superfícies se encontram onde , ou seja, , e
Uma integral tripla numérica em dá .
Exemplo 3: coordenadas esféricas
Para uma bola de raio ,
Se a densidade é , proporcional à distância ao centro, a massa é .
Agora a "casquinha de sorvete": dentro da esfera unitária e acima do cone . No cone , então o cone é , e o sólido é , , :
Uma integral tripla cartesiana sobre dá . Tirar o jacobiano da bola dá em vez de (para ).
Exemplo 4: volume de uma bola por Monte Carlo
Quando uma região não tem descrição conveniente, amostre-a. Sorteie pontos uniformes no cubo (volume 8) e conte a fração que cai dentro da bola unitária. Então estima . O erro-padrão é com , ou seja, . Uma execução (semente 2026) deu:
textN estimativa erro abs. erro-padrao 10^3 4.2640 0.0752 0.1264 10^4 4.1808 0.0080 0.0400 10^5 4.1632 0.0256 0.0126 10^6 4.1878 0.0010 0.0040
Uma única execução flutua nessa escala: o erro em é de dois erros-padrão. Na média de 300 execuções (sementes 0 a 299), a raiz do erro quadrático médio em foi , perto do previsto . O erro cai como em qualquer dimensão, mas a constante depende do problema. Uma grade com 100 pontos por eixo exige avaliações em três dimensões e em dez, enquanto o Monte Carlo ainda roda em dez. Ali a bola unitária ocupa só cerca de do cubo envolvente, e amostras (semente 5) deram contra o valor exato , com erro-padrão de .
Equívocos Comuns e Armadilhas
- "Em coordenadas esféricas basta ." O elemento de volume é . O reflete que a área de uma casca cresce com o quadrado do raio, e o que os círculos de latitude encolhem em direção aos polos. As cilíndricas precisam do fator .
- "Qualquer faixa de ângulo serve." A aplicação precisa ser injetora no interior. pertence a e a uma janela de comprimento ; uma faixa maior cobre o sólido duas vezes.
- "Cilíndricas e esféricas usam os mesmos ângulos em todo lugar." Os ângulos geométricos são os mesmos, mas os nomes mudam entre livros: textos de física costumam chamar de o ângulo a partir do eixo e de o azimute. Anote qual ângulo é qual antes de usar uma tabela de fórmulas.
- "Os limites da integral externa podem depender das variáveis internas." Uma variável interna não pode aparecer nos limites de uma integral externa. Se um limite se refere a , então precisa ser integrada por fora dessa integral, e a região tem de ser redescrita.
- "O Monte Carlo converge mais rápido que uma grade porque é aleatório." Ele converge à taxa , que é lenta, e sua vantagem é que essa taxa não piora com a dimensão (a constante na frente pode piorar).
Resumo
Uma integral tripla é um limite de somas sobre caixas pequenas. Para um integrando contínuo numa caixa fechada, Fubini faz as seis ordens concordarem, e os teoremas gerais exigem integrabilidade absoluta ou integrando não negativo. Sólidos do tipo 1 são descritos por uma região-base e duas superfícies. Sob uma aplicação injetora no interior e com jacobiano não nulo ali, o integrando recebe o valor absoluto do determinante : nas coordenadas cilíndricas e nas esféricas, válido para . Volume e massa são os usos padrão. Quando uma região resiste à descrição, a amostragem aleatória dá uma estimativa cujo erro cai como em qualquer dimensão.