Testes de Convergência
Objetivos de Aprendizagem
- Enunciar os testes da divergência, da integral, de comparação, de comparação no limite, da série alternada, da razão e da raiz com todas as hipóteses, dizendo o que cada um conclui em cada caso.
- Reconhecer quando um teste é inconclusivo e citar uma série de cada lado da fronteira que prova isso (por exemplo e para o teste da razão).
- Mostrar, numa série concreta, por que remover uma hipótese (positividade, monotonicidade, um limite que de fato existe) pode fazer o teste dar a resposta errada.
- Distinguir convergência absoluta de condicional e explicar por que reordenar uma série condicionalmente convergente pode mudar a soma.
- Usar o teste da integral e o da série alternada para limitar o erro que sobra depois de termos, e escolher um teste para uma série dada.
Contexto e Motivação
A maioria das séries infinitas não tem fórmula fechada para as somas parciais. A série geométrica e as somas telescópicas de infinite-series-and-partial-sums são exceções, então a pergunta usual não é "qual é a soma?", e sim "ela converge?". Os testes desta lição respondem sem calcular a soma, e os que trazem cotas de erro dizem também o quanto uma soma truncada pode estar longe do valor verdadeiro.
Em computação isso importa porque um programa só soma finitos termos, e uma soma parcial sozinha não decide a convergência. A série diverge, mas a soma parcial até é só cerca de . Olhando os números, qualquer um suspeitaria de um limite que não existe. Os testes de convergência são o argumento que substitui o palpite numérico.
Séries também aparecem na análise de algoritmos. O custo esperado do quicksort envolve os números harmônicos , cujo crescimento como vem do teste da integral. A cota linear para construir um heap binário se reduz a , série que o teste da razão aceita e cuja soma é exatamente .
Teoria Central
Daqui em diante, é a soma parcial e é o resto quando a série converge para .
O teste da divergência
Se converge, então . Equivalentemente: se não tende a (inclusive quando o limite não existe), a série diverge. O teste só consegue provar divergência. A série harmônica tem e mesmo assim diverge, então é inconclusivo.
O teste da integral
Hipóteses: é contínua, positiva e decrescente em , e para . Conclusão: e ou convergem as duas ou divergem as duas. Quando convergem, o resto fica preso entre duas integrais:
Para séries , converge exatamente quando , então converge exatamente quando . As hipóteses não são enfeite. Tome : ela é contínua e não negativa, mas não é decrescente. Então para todo inteiro , a série converge para , enquanto para inteiro, o que cresce sem limite. Os dois se comportam de modo diferente porque falta a monotonicidade.
Testes de comparação
Comparação direta. Hipótese: para todo . Se converge, também converge; se diverge, também diverge. As outras duas direções não dizem nada: saber que uma série pequena converge, ou que uma grande diverge, não informa sobre a outra. A não negatividade é essencial: vale para todo e converge, mas diverge.
Comparação no limite. Hipótese: e , e existe com . Conclusão: as duas séries convergem ou as duas divergem. Se , só sobrevive " converge implica converge"; se , só sobrevive " diverge implica diverge". Com e temos e diverge, então nada se conclui, e de fato converge. Trocando os papéis, aparece com a mesma moral.
O teste da série alternada
Hipóteses: a série é com , decrescente (ao menos a partir de algum índice ) e . Conclusão: a série converge e o resto satisfaz para todo com , isto é, depois que a monotonicidade começou. As três condições são necessárias. Sem , o teste da divergência derruba a série. Sem monotonicidade, a conclusão pode falhar mesmo com (veja o Exemplo 4).
Os testes da razão e da raiz
Teste da razão. Hipótese: a partir de algum ponto e existe (possivelmente ). Se , a série converge absolutamente; se (ou ), diverge; se , o teste é inconclusivo.
Teste da raiz. Hipótese: , que sempre existe em . Os três casos são os mesmos do teste da razão, e de novo é inconclusivo. Sempre que o limite da razão existe, o limite da raiz existe e é igual a ele, então o teste da raiz nunca é mais fraco; ele também resolve séries em que a razão não tem limite.
Os dois testes ficam cegos em porque um limite menor que significa decaimento geométrico, e cobre todo decaimento mais lento que qualquer taxa geométrica. Isso inclui o decaimento polinomial, mas também (mais rápido que qualquer polinômio, e ainda assim ) e (mais lento que qualquer polinômio). Em e a razão tende a nos dois casos, mas uma série diverge e a outra converge.
Convergência absoluta e condicional
Se converge, então converge (convergência absoluta implica convergência). A recíproca falha: converge pelo teste da série alternada, mas diverge, então a convergência é apenas condicional.
A distinção tem consequências. Se a série converge absolutamente, toda reordenação tem a mesma soma. Se converge só condicionalmente, o teorema de reordenação de Riemann diz que é possível reordenar para somar qualquer número real, ou para divergir. Somar infinitos termos não é comutativo.
Escolhendo um teste
| Procure | Tente |
|---|---|
| é plausível | teste da divergência primeiro |
| fatoriais, exponenciais ou potências n-ésimas | teste da razão, ou da raiz para potências n-ésimas |
| racional ou algébrica em n | comparação no limite com uma série p |
| com primitiva fácil (logaritmos, ) | teste da integral |
| os sinais alternam | teste da série alternada; depois verifique |
| razão ou raiz dá 1 | comparação ou teste da integral |
Exemplos Resolvidos
Exemplo 1: o teste da razão, e uma soma que vale exatamente 2
Para , a razão é , então a série converge. Sua soma é . As somas parciais , e se aproximam rápido, como uma razão de prevê. É a série por trás da construção de heap em tempo linear.
Exemplo 2: comparação no limite
Para , compare com . Então , um limite finito e positivo, e converge, logo a série converge. Uma conferência numérica concorda com o limite: a razão vale em , em e em . A série soma cerca de .
Exemplo 3: o teste da integral e sua cota de erro
Para , tome , contínua, positiva e decrescente em . Depois de termos, , e a cota do resto dá , isto é, . A soma verdadeira é , dentro da janela. Para garantir erro abaixo de usando só a cota superior, tome ; o erro real aí é , logo abaixo da garantia.
Exemplo 4: o teste da série alternada, e o que acontece sem monotonicidade
A série harmônica alternada cumpre as três hipóteses com , e converge para . A cota é honesta, mas conservadora: para ele promete , e o erro real é . A cota precisa de termos para garantir , enquanto o erro real cai a pela primeira vez perto de . A lentidão é o ponto: um dígito de precisão a cada dez vezes mais termos.
Agora tome (começa em porque o denominador de é ). Aqui , mas e , então não é decrescente. O teste não se aplica, e a série diverge: racionalizar o denominador separa o termo em . A primeira parte converge pelo teste alternado e a segunda é uma cauda harmônica. As somas parciais se comportam como : em , em e em , contra , e para (a diferença se estabiliza perto de ). Tirar uma hipótese inverteu a conclusão.
Exemplo 5: quando o teste da razão não diz nada e o da raiz decide
Seja , com termos . As razões alternam entre e , então o limite não existe e o teste da razão, como enunciado, não se aplica. (Mesmo a versão com limsup/liminf é inconclusiva: ela precisa de para convergir ou de para divergir, e aqui e .) O teste da raiz dá , então a série converge, e soma exatamente .
Exemplo 6: uma série condicionalmente convergente reordenada
Pegue a série harmônica alternada e reordene com dois termos positivos seguidos de um negativo: . São exatamente os mesmos termos, mas a soma é em vez de . Um script somando o primeiro milhão de grupos dessa ordem dá .
Exemplo 7: quando as somas parciais enganam
: com , , então a série diverge, e a soma até acompanha mais uma constante. Em , e a soma parcial é . Já converge (a integral a partir de vale ) e sua soma é (calculada com uma cauda de Euler-Maclaurin; a convergência é tão lenta que a soma parcial em é só ). O teste da razão é inútil nas duas, porque a razão entre termos consecutivos tende a .
Equívocos Comuns e Armadilhas
- "Se , a série converge." Só vale a recíproca. A série harmônica é o contraexemplo padrão, e mostra como a divergência pode demorar a aparecer.
- "O teste da razão deu , então a série diverge (ou converge)." Em o teste não diz nada. Passe para comparação ou para o teste da integral.
- "A comparação vale nos dois sentidos." Uma série menor que uma divergente, ou maior que uma convergente, não informa nada. Confira o sentido e confira que todos os termos são não negativos.
- "Sinais alternados com bastam." A monotonicidade é uma hipótese. O Exemplo 4 diverge apesar de .
- "Uma soma parcial que parou de mudar indica convergência." Somas parciais de séries divergentes podem variar menos do que qualquer precisão exibida por muito tempo.
- "Reordenar termos é inofensivo." Só é inofensivo para séries absolutamente convergentes.
Resumo
O teste da divergência só detecta divergência. Os testes da integral, de comparação, de comparação no limite, da razão e da raiz se aplicam a séries de termos (eventualmente) positivos ou tomadas em valor absoluto. O teste da integral decide sempre que as hipóteses valem, os testes de comparação não dizem nada quando a desigualdade aponta para o lado errado (ou quando ou ), e os testes da razão e da raiz não dizem nada em . O teste da série alternada exige decrescente a e então dá a convergência e a cota ; o teste da integral dá cotas de resto dos dois lados. A convergência absoluta é o caso seguro: implica convergência e permite reordenar à vontade, o que a condicional não permite. A próxima lição, power-series-and-the-radius-of-convergence, aplica os testes da razão e da raiz a séries com uma variável , onde eles decidem um intervalo de convergência e os extremos são resolvidos com os outros testes desta lição.