Séries de Potências e o Raio de Convergência

Published on 2026-11-04·v1.0

Objetivos de Aprendizagem

  • Definir uma série de potências centrada em aa e enunciar a tricotomia da convergência: só em aa, num intervalo simétrico em torno de aa, ou em toda parte.
  • Calcular o raio de convergência com o teste da razão ou da raiz e depois testar os dois extremos separadamente com os testes de convergence-tests.
  • Explicar por que uma série de potências só é igual à sua "forma fechada" dentro do intervalo de convergência, mesmo quando a forma fechada está definida mais longe.
  • Enunciar quando a derivação e a integração termo a termo são válidas e mostrar como o comportamento nos extremos pode mudar.
  • Ler o raio como a taxa de crescimento exponencial dos coeficientes, e obtê-lo a partir do denominador de uma função geradora como a de Fibonacci.

Contexto e Motivação

Uma série de potências é uma série com uma variável dentro:

∑n=0∞cn(x−a)n=c0+c1(x−a)+c2(x−a)2+⋯\sum_{n=0}^{\infty} c_n (x-a)^n = c_0 + c_1(x-a) + c_2(x-a)^2 + \cdots

Para cada xx fixo é uma série numérica comum, então valem os testes de convergence-tests. A pergunta nova é para quais xx a série converge, porque a resposta define o domínio de uma nova função f(x)f(x). Polinômios são o caso em que só finitos cnc_n são não nulos; uma série de potências é "um polinômio de grau infinito", e muitas funções importantes na prática, como exe^x, sin⁡x\sin x e ln⁡(1+x)\ln(1+x), podem ser escritas assim. A próxima lição, taylor-and-maclaurin-series-with-error-bounds, mostra como achar os coeficientes e quão precisa é uma truncagem.

Séries de potências importam em computação de duas formas. Na parte numérica, uma série de potências truncada é um tipo de aproximação polinomial (polinômios de Chebyshev, minimax e de interpolação são outros), e para ela o intervalo de convergência decide onde a aproximação é confiável. Na parte combinatória, uma sequência cnc_n pode ser empacotada numa função geradora ∑cnxn\sum c_n x^n. O raio de convergência dessa função informa então quão rápido cnc_n cresce. Para uma recorrência linear, a função geradora é racional, e seu raio vem das raízes do denominador.

Teoria Central

A tricotomia da convergência

Para uma série de potências ∑cn(x−a)n\sum c_n (x-a)^n, vale exatamente uma das opções:

  1. Converge só em x=ax = a (raio R=0R = 0).
  2. Converge absolutamente para todo xx real (raio R=∞R = \infty).
  3. Existe um número 0<R<∞0 < R < \infty tal que converge absolutamente para ∣x−a∣<R\lvert x - a\rvert < R e diverge para ∣x−a∣>R\lvert x - a\rvert > R.

O conjunto dos xx em que converge é o intervalo de convergência: (a−R,a+R)(a-R, a+R) mais, possivelmente, um ou os dois extremos. O teorema não diz nada sobre os extremos x=a±Rx = a \pm R. Eles precisam ser verificados um a um, e as quatro combinações acontecem.

Calculando o raio

Aplique o teste da razão aos termos da série em xx, e não só aos coeficientes. Se lim⁡∣cn+1/cn∣=ρ\lim \lvert c_{n+1}/c_n\rvert = \rho existe, os termos têm razão ρ ∣x−a∣\rho\,\lvert x-a\rvert, que é menor que 11 exatamente quando ∣x−a∣<1/ρ\lvert x-a\rvert < 1/\rho, então R=1/ρR = 1/\rho (com R=∞R = \infty se ρ=0\rho = 0 e R=0R = 0 se ρ=∞\rho = \infty). O teste da raiz dá a fórmula geral, que sempre se aplica:

R=1lim sup⁡n→∞∣cn∣1/nR = \frac{1}{\limsup_{n\to\infty} \lvert c_n\rvert^{1/n}}

Aplicar o teste da razão aos coeficientes falha em silêncio quando infinitos cnc_n são zero, por exemplo em ∑x2n+1/(2n+1)\sum x^{2n+1}/(2n+1), onde c2n=0c_{2n} = 0. Nesse caso, rode o teste da razão nos termos completos, como faz o Exemplo 2.

Os extremos

Em x=a±Rx = a \pm R, os testes da razão e da raiz dão L=1L = 1 e são inconclusivos. Substitua o extremo para obter uma série numérica comum e use o teste da divergência, a comparação, o teste da integral ou o da série alternada. Por exemplo, ∑xn\sum x^n tem R=1R=1 e diverge nos dois extremos (os termos não tendem a 00); ∑xn/n\sum x^n/n converge em −1-1 e diverge em 11; ∑xn/n2\sum x^n/n^2 converge nos dois.

Uma série de potências só é função dentro do seu intervalo

Dentro do intervalo de convergência, f(x)=∑cn(x−a)nf(x) = \sum c_n (x-a)^n é uma função. A série geométrica é o modelo: ∑n≥0xn=11−x\sum_{n\ge0} x^n = \frac{1}{1-x} para ∣x∣<1\lvert x\rvert < 1. O lado direito está definido para todo x≠1x \ne 1, mas em x=−3x = -3 a série é 1−3+9−27+⋯1 - 3 + 9 - 27 + \cdots, que diverge, embora 11−(−3)=14\frac1{1-(-3)} = \frac14. A igualdade vale no intervalo de convergência e em nenhum outro lugar.

Derivando e integrando termo a termo

Suponha que f(x)=∑cn(x−a)nf(x) = \sum c_n (x-a)^n tem raio R>0R > 0. Então, para ∣x−a∣<R\lvert x-a\rvert < R (o intervalo aberto), ff é derivável e

f′(x)=∑n≥1ncn(x−a)n−1,∫f(x) dx=C+∑n≥0cnn+1(x−a)n+1.f'(x) = \sum_{n\ge 1} n c_n (x-a)^{n-1}, \qquad \int f(x)\,dx = C + \sum_{n\ge0} \frac{c_n}{n+1}(x-a)^{n+1}.

As duas novas séries têm o mesmo raio RR. Os extremos podem mudar, porque os fatores nn e 1/(n+1)1/(n+1) alteram a velocidade com que os termos decaem. Séries de potências são especiais nisso: para uma série de funções qualquer, derivar termo a termo não é permitido. Para ∑sin⁡(nx)/n2\sum \sin(nx)/n^2, que converge para todo xx por comparação com ∑1/n2\sum 1/n^2, a série derivada ∑cos⁡(nx)/n\sum \cos(nx)/n é a série harmônica em x=0x = 0 e diverge.

Combinando séries de potências

Somas e múltiplos constantes são termo a termo, e o resultado converge pelo menos onde as duas convergem dentro dos intervalos abertos, então o raio é pelo menos o menor dos dois raios. O produto se calcula com o produto de Cauchy, ∑n(∑k=0nakbn−k)xn\sum_n \big(\sum_{k=0}^n a_k b_{n-k}\big) x^n, e o produto tem raio pelo menos igual ao menor dos dois raios. A convergência num extremo não é herdada: an=(−1)n/n+1a_n = (-1)^n/\sqrt{n+1} dá uma série que converge em x=1x=1, mas o quadrado de Cauchy tem coeficientes de módulo ∑k=0n1/(k+1)(n−k+1)\sum_{k=0}^n 1/\sqrt{(k+1)(n-k+1)}, que vale 2,292{,}29 em n=10n=10, 2,852{,}85 em n=100n=100 e 3,053{,}05 em n=1000n=1000 (tendendo a π\pi), então o produto diverge em x=1x=1. Substituir x↦x2x \mapsto x^2 ou x↦2xx \mapsto 2x numa série muda o intervalo de acordo: ∑(2x)n\sum (2x)^n converge para ∣x∣<12\lvert x\rvert < \tfrac12. Os coeficientes de uma série de potências são determinados pela função: cn=f(n)(a)/n!c_n = f^{(n)}(a)/n! (segue de derivar termo a termo e avaliar em aa), que é o ponto de partida da próxima lição.

Exemplos Resolvidos

Exemplo 1: centro deslocado e extremos de lados diferentes

Ache o intervalo de convergência de ∑n≥1(−1)n(x+3)nn 4n\sum_{n\ge1} \dfrac{(-1)^n (x+3)^n}{\sqrt n\,4^n}. A razão entre termos consecutivos tem módulo ∣x+3∣4nn+1→∣x+3∣4\frac{\lvert x+3\rvert}{4}\sqrt{\frac{n}{n+1}} \to \frac{\lvert x+3\rvert}{4} (o teste da raiz dá o mesmo 14\tfrac14 para os coeficientes), então R=4R = 4 e o intervalo aberto é (−7,1)(-7, 1), centrado em −3-3.

Em x=1x = 1 a série é ∑(−1)n/n\sum (-1)^n/\sqrt n, que converge pelo teste da série alternada (soma cerca de −0,605-0{,}605). Em x=−7x = -7 é ∑1/n\sum 1/\sqrt n, uma série pp com p=12p=\tfrac12, que diverge (as somas parciais são 18,618{,}6, 198,5198{,}5 e 1998,51998{,}5 com 10210^2, 10410^4 e 10610^6 termos). O intervalo de convergência é (−7,1](-7, 1]. Fora dele, em x=2x=2 os módulos dos termos (5/4)n/n(5/4)^n/\sqrt n crescem sem limite, então vale o teste da divergência.

Exemplo 2: convergindo nos dois extremos, e o arco tangente

Considere ∑n≥0(−1)nx2n+12n+1\sum_{n\ge0} (-1)^n \dfrac{x^{2n+1}}{2n+1}. Metade dos coeficientes é zero, então rode o teste da razão nos termos: ∣x2n+3/(2n+3)x2n+1/(2n+1)∣→x2\left\lvert \frac{x^{2n+3}/(2n+3)}{x^{2n+1}/(2n+1)}\right\rvert \to x^2, que é menor que 11 para ∣x∣<1\lvert x\rvert<1, logo R=1R = 1.

Em x=±1x = \pm1 a série é ±∑(−1)n/(2n+1)\pm\sum (-1)^n/(2n+1), que converge pelo teste da série alternada, então o intervalo é [−1,1][-1,1]. Essa série é arctan⁡x\arctan x. Em x=1x=1 ela dá arctan⁡1=π/4\arctan 1 = \pi/4 (esse passo precisa do teorema de Abel: se uma série de potências converge num extremo do intervalo, o valor da função ali é o limite da série quando xx se aproxima do extremo por dentro). A convergência no extremo é lenta: a cota alternada ∣RN∣≤1/(2N+3)\lvert R_N\rvert \le 1/(2N+3) tem a ordem de grandeza certa, embora o erro real seja cerca de metade da cota. Somando até n=105n=10^5 (isto é, 105+110^5+1 termos), o erro é 2,5×10−62{,}5\times10^{-6} contra a cota 5,0×10−65{,}0\times10^{-6}, por isso π≈4 (1−13+15−⋯ )\pi \approx 4\,(1 - \tfrac13 + \tfrac15 - \cdots) é uma forma ruim de calcular π\pi. Para x=0,5x = 0{,}5 a mesma série dá arctan⁡0,5=0,4636476…\arctan 0{,}5 = 0{,}4636476\ldots com cerca de vinte dígitos usando 31 termos (até n=30n=30).

Exemplo 3: derivar muda o extremo

Seja f(x)=∑n≥1xn/n2f(x) = \sum_{n\ge1} x^n/n^2, com intervalo [−1,1][-1,1] (em x=1x=1 vale π2/6\pi^2/6 e em x=−1x=-1 vale −π2/12-\pi^2/12, ambas convergentes por comparação com ∑1/n2\sum1/n^2). Derivando termo a termo, f′(x)=∑n≥1xn−1/nf'(x) = \sum_{n\ge 1} x^{n-1}/n, com o mesmo raio 11. Em x=1x = 1 é a série harmônica, que diverge; em x=−1x=-1 é ∑(−1)n−1/n=ln⁡2\sum(-1)^{n-1}/n = \ln 2, que converge. O intervalo encolhe de [−1,1][-1,1] para [−1,1)[-1,1).

Integrando a série geométrica ∑tn=11−t\sum t^n = \frac1{1-t} de 00 a xx obtém-se −ln⁡(1−x)=∑n≥1xn/n-\ln(1-x) = \sum_{n\ge1} x^n/n para ∣x∣<1\lvert x\rvert<1, e o teorema de Abel estende isso a x=−1x=-1, dando −ln⁡2=−1+12−13+⋯-\ln 2 = -1 + \tfrac12 - \tfrac13 + \cdots. Como conferência numérica, f′(0,5)=∑n≥1(0,5)n−1/n=1,3862944f'(0{,}5) = \sum_{n\ge1}(0{,}5)^{n-1}/n = 1{,}3862944, igual a −ln⁡(0,5)/0,5-\ln(0{,}5)/0{,}5 e à inclinação de ff por diferenças finitas.

Exemplo 4: o raio como taxa de crescimento (Fibonacci)

Os números de Fibonacci F0=0,F1=1,F2=1,F3=2,…F_0=0, F_1=1, F_2=1, F_3 = 2, \ldots satisfazem ∑n≥0Fnxn=x1−x−x2\sum_{n\ge0} F_n x^n = \dfrac{x}{1-x-x^2} perto de x=0x=0 (expandir o lado direito dá x+x2+2x3+3x4+5x5+8x6+⋯x + x^2 + 2x^3 + 3x^4 + 5x^5 + 8x^6 + \cdots). O denominador fatora como 1−x−x2=(1−φx)(1−ψx)1-x-x^2 = (1-\varphi x)(1-\psi x) com φ=1+52=1,618034\varphi = \frac{1+\sqrt5}{2} = 1{,}618034 e ψ=1−52=−0,618034\psi = \frac{1-\sqrt5}{2} = -0{,}618034, e as frações parciais dão

x1−x−x2=15(11−φx−11−ψx).\frac{x}{1-x-x^2} = \frac{1}{\sqrt5}\left(\frac{1}{1-\varphi x} - \frac{1}{1-\psi x}\right).

Cada fração é uma série geométrica, convergente para ∣φx∣<1\lvert \varphi x\rvert < 1 e ∣ψx∣<1\lvert \psi x\rvert < 1, respectivamente. A primeira é a condição que manda, porque ∣φ∣>∣ψ∣\lvert\varphi\rvert > \lvert\psi\rvert, então R=1/φ=0,618034R = 1/\varphi = 0{,}618034, a menor raiz do denominador em módulo (as raízes são 0,6180{,}618 e −1,618-1{,}618). Lendo os coeficientes, Fn=(φn−ψn)/5F_n = (\varphi^n - \psi^n)/\sqrt5, logo Fn1/n→φ=1/RF_n^{1/n} \to \varphi = 1/R: o raio e a taxa de crescimento exponencial são o mesmo fato. O teste da razão concorda, já que Fn+1/Fn→φF_{n+1}/F_n \to \varphi.

Nos extremos x=±Rx = \pm R os termos cumprem ∣FnRn∣=∣1−(ψ/φ)n∣/5→1/5=0,4472≠0\lvert F_n R^n\rvert = \lvert 1 - (\psi/\varphi)^n\rvert/\sqrt5 \to 1/\sqrt5 = 0{,}4472 \ne 0, então pelo teste da divergência os dois extremos divergem: o intervalo é o aberto (−0,618,0,618)(-0{,}618, 0{,}618). Dentro, em x=12x = \tfrac12 a série soma 22, igual a 0,51−0,5−0,25\frac{0{,}5}{1-0{,}5-0{,}25}. Fora, em x=0,7x = 0{,}7, onde a fórmula dá −3,68-3{,}68, as somas parciais disparam: 9,69{,}6 até o termo x10x^{10}, 4242 até x20x^{20}, 553553 até x40x^{40} e 81 06181\,061 até x80x^{80}.

Exemplo 5: o raio não depende de onde a função está definida

11+x2=∑n≥0(−1)nx2n\dfrac1{1+x^2} = \sum_{n\ge0}(-1)^n x^{2n} tem raio 11, embora a função seja suave para todo xx real. Em x=0,9x = 0{,}9 a série converge (0,55250{,}5525, igual a 1/1,811/1{,}81). Em x=1,1x = 1{,}1, onde 1/(1+x2)=0,45251/(1+x^2) = 0{,}4525, as somas parciais são 1,631{,}63, −2,59-2{,}59 e −20,03-20{,}03 com 55, 1010 e 2020 termos (até x8x^{8}, x18x^{18} e x38x^{38}), e continuam crescendo em módulo. O obstáculo está em x=±ix = \pm i, dois pontos do plano complexo a distância 11 do centro, que o gráfico real nunca mostra. Em x=±1x=\pm1 os termos são (−1)n(-1)^n, que não tendem a 00, então vale o teste da divergência.

Equívocos Comuns e Armadilhas

  • "O intervalo de convergência é (a−R,a+R)(a-R, a+R)." Esse é o intervalo em que a convergência absoluta é garantida; se os extremos pertencem a ele é outra questão. Cada extremo é uma pergunta à parte, e os testes da razão e da raiz não a respondem.
  • "Se a função está definida em xx, a série converge ali." O Exemplo 5 e a série geométrica discordam: a série reproduz a função só dentro do intervalo.
  • "O teste da razão nos coeficientes sempre funciona." Falha quando há infinitos coeficientes nulos. Use os termos, ou a fórmula do teste da raiz.
  • "Derivar preserva o intervalo." O raio é preservado; os extremos podem não ser (Exemplo 3).
  • "O raio é determinado pelo ponto em que a função tem problema na reta real." O Exemplo 5 mostra uma função suave em toda a reta com raio 11.
  • "O raio de uma soma é o menor dos dois raios." É pelo menos o menor, e pode ser maior: ∑xn−∑xn\sum x^n - \sum x^n é identicamente 00, com R=∞R=\infty.

Resumo

Uma série de potências ∑cn(x−a)n\sum c_n (x-a)^n converge num intervalo centrado em aa com raio R=1/lim sup⁡∣cn∣1/nR = 1/\limsup\lvert c_n\rvert^{1/n}. Converge absolutamente por dentro, diverge por fora, e cada extremo precisa ser testado à parte (com os testes da divergência, de comparação, da integral ou da série alternada), onde os quatro desfechos são possíveis. Uma série de potências só é igual à função associada dentro do intervalo. No intervalo aberto ela pode ser derivada e integrada termo a termo com o mesmo raio, mas o comportamento nos extremos pode mudar. O raio também mede o crescimento dos coeficientes, como mostra a função geradora de Fibonacci, e pode ser limitado por singularidades que vivem no plano complexo. A próxima lição, taylor-and-maclaurin-series-with-error-bounds, constrói essas séries a partir das derivadas de uma função e quantifica o erro de cortá-las.

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