Testes de Usabilidade e a System Usability Scale

Published on 2026-11-04·v1.0

Objetivos de Aprendizagem

  • Planejar um teste de usabilidade como formativo ou somativo, com tarefas, participantes e medidas de acordo.
  • Nomear as variantes de think-aloud e dizer o que cada uma custa em validade e em tempo de tarefa.
  • Calcular a fórmula de descoberta, mostrar como a resposta se move com a taxa de detecção pp e dizer o que "cinco usuários" significa.
  • Pontuar corretamente a System Usability Scale, incluindo a inversão dos itens pares, e detectar o erro comum de pontuação.
  • Dar a fonte e a amostra da média 68.

Contexto e Motivação

nielsens-ten-heuristics-and-heuristic-evaluation prevê problemas sem usuários. Um teste de usabilidade observa usuários representativos tentando tarefas representativas. Nielsen reduz a versão básica a três passos: recrutar usuários representativos, dar a eles tarefas representativas e deixá-los falar.

Lewis e Sauro (2020) separam duas concepções do trabalho de usabilidade: detectar e eliminar problemas (formativa) e medir contra metas (somativa). Muitas discussões aqui nascem de aplicar um número de uma na outra. "Cinco usuários" é conselho formativo e não diz nada sobre a precisão de um tempo de tarefa ou de uma média SUS.

Teoria Central

Planejando um teste

Decisão Formativo Somativo
Pergunta O que quebra, e por quê? Quão bem funciona contra uma meta?
Amostra Poucos por rodada, depois corrigir e testar de novo Maior, escolhida para um intervalo ou uma comparação
Falar durante as tarefas Sim Não, se tempo for medida

As tarefas moldam o resultado. No CUE-2, relata Molich, nove times criaram 51 tarefas diferentes para a mesma interface, com pouca concordância sobre quais tarefas eram críticas, e Lindgaard e Chattratichart, segundo a linha do tempo de Sauro, mostraram com dados do CUE-4 que mudar as tarefas muda os problemas achados. Um teste cobre as tarefas que você escolheu, não o produto.

A observação muda o comportamento, e grupos de participantes convenientes podem não representar os usuários-alvo, como explica human-studies-in-computing-research.

Think-aloud tem variantes

O think-aloud em usabilidade descende da análise de protocolos de Ericsson e Simon. A prática de usabilidade não é igual ao procedimento deles: Boren e Ramey documentaram as diferenças, e o resumo da Wikipedia é que os praticantes podem precisar intervir mais vezes do que Ericsson e Simon permitiriam.

Variante Quando a pessoa fala Ponto forte Custo
Concorrente Durante a tarefa Pode ser mais completa Pode interferir na tarefa, embora alguns protocolos concorrentes não tenham mostrado interferência
Retrospectiva Depois da tarefa, muitas vezes vendo a própria gravação Menos chance de interferir Dependência da memória e sessão mais longa (inferência, não vem da fonte)
Concorrente com sondagens Durante a tarefa, com intervenções neutras Alcança razões que o silêncio esconde Intervenção sem treino enviesa o comportamento

As duas primeiras linhas seguem o resumo da Wikipedia sobre Kuusela e Paul, exceto onde marcado. Nielsen (2012) lista os riscos da forma concorrente: a situação é artificial, as pessoas filtram o que dizem e um facilitador sem treino pode conduzi-las. Pernice (2014) dá três respostas neutras para quando o participante pergunta algo: echo repete as últimas palavras dele em tom de pergunta, boomerang devolve a pergunta ("What do you think?") e Columbo começa uma pergunta e a deixa pela metade, para que ele complete. O artigo de Nielsen sobre taxa de sucesso (2001) acrescenta uma troca que decide muitos planos: o tempo extra que os usuários gastam verbalizando contamina o tempo de tarefa, então uma sessão de think-aloud é má fonte de dados de tempo.

Medidas

Relate sucesso de tarefa com regra declarada e tempo com as sessões que ele cobre, como em usability-and-its-definition-iso-9241-11. Nielsen (2006) analisou 1.520 medidas de tempo de tarefa em 70 tarefas e achou desvio padrão de 52% da média, depois de remover usuários excessivamente lentos, o que sustenta seu conselho de 20 usuários para métricas. O resumo posterior dele (2012) mantém as exceções separadas: pelo menos 20 para estudos quantitativos, 15 por grupo para card sorting, 39 para heatmaps estáveis de eyetracking.

A fórmula por trás de "cinco usuários"

No artigo de Nielsen de 2000, o número de problemas achados por nn usuários é

N(1−(1−L)n),N\bigl(1-(1-L)^n\bigr),

com NN o total de problemas e LL a proporção achada por um usuário, 31% nos dados dele, na média de projetos. A linha do tempo de Sauro registra outros valores: Virzi p=0,32p=0{,}32, Lewis (1994) p=0,16p=0{,}16. A mesma álgebra sai da binomial: um problema que afeta uma proporção pp dos usuários aparece pelo menos uma vez em nn usuários independentes com probabilidade 1−(1−p)n1-(1-p)^n.

A hipótese importa mais que a álgebra. A fórmula precisa de usuários de uma só população e das mesmas tarefas, e trata pp como se um número descrevesse todos os problemas.

O que "cinco usuários" significa

Significa: com p=0,31p=0{,}31, cinco usuários têm cerca de 84% de chance de mostrar pelo menos uma vez um dado problema dessa frequência. Nielsen arredonda para 85%. Daí segue seu argumento prático: gaste um orçamento de 15 usuários em três rodadas de cinco, porque cada rodada confere as correções e expõe questões mais profundas.

Não significa:

  • Que 85% de todos os problemas são achados. A leitura de Sauro é que você vê a maioria dos problemas que afetam 31% ou mais daquela população naquelas tarefas.
  • Que cinco bastam por produto. Nielsen limita a fórmula a usuários comparáveis e sugere 3 ou 4 por grupo para dois grupos distintos.
  • Que cinco bastam para números. A fórmula trata de descoberta, não de comparação nem de estimativa.
  • Que um grupo qualquer de cinco é típico (Exemplo 2).

A evidência vem em escalas diferentes, então os números abaixo não são comparáveis. Faulkner (2003), como relata Straub (2004), testou 60 usuários de um sistema web de folha de ponto e sorteou 100 subconjuntos por tamanho: cinco usuários acharam em média 85% dos problemas revelados pelos 60, variando de 55% a quase 100%; dez acharam em média 95%, com mínimo de 82%. Spool e Schroeder (2001), no mesmo relato, acharam 35% com os cinco primeiros, e Sauro observa que seus usuários tinham tarefas abertas em até quatro sites. Cada denominador é diferente, e nenhum é o NN verdadeiro.

A System Usability Scale

A SUS é um questionário de dez itens com cinco opções de resposta, criado por John Brooke em 1986 como instrumento "quick and dirty", segundo Sauro (2011). Os itens ímpares são positivos e os pares, negativos. Os dois primeiros são "I think that I would like to use this system frequently" e "I found the system unnecessarily complex".

Pontuação, segundo Sauro: nos itens ímpares subtraia 1 da resposta, nos pares subtraia a resposta de 5, some as dez contribuições e multiplique por 2,5. Cada contribuição vai de 0 a 4, então a soma vai de 0 a 40 e o escore de 0 a 100, em passos de 2,5.

Não é porcentagem. Um SUS de 68 é, aritmeticamente, 68% do máximo, mas fica por volta do percentil 50. Ler como 68% sugere "acima da média" quando é a própria média, então Sauro aconselha relatar o percentil. Ele dá um exemplo: 74 fica perto do percentil 70.

O 68. Vem do banco de dados de Sauro: ele relata mais de 5.000 usuários em 500 avaliações, e a média desses estudos é 68 (artigo de 2011; um artigo de 2013 fala em escores de 500 produtos). É a média do que foi testado, uma mistura de tipos de sistema, não nota de aprovação. A escala de notas do próprio Sauro põe 68 num C. Bangor et al. (2008), como relata Sauro (2018), usaram outros cortes: aceitável acima de cerca de 70, não aceitável abaixo de cerca de 50, marginal no meio. Ele também relata escores cerca de 11% maiores para usuários recorrentes de sites do que para os de primeira vez, e para usuários de software com cinco anos ou mais de experiência do que para os de 0 a 3.

Não é diagnóstico. Sauro observa que a SUS não diz o que está errado, e por isso ela anda junto com a observação. Ele também relata correlação modesta com conclusão e tempo, cerca de r=0,24r=0{,}24, e que os itens 4 e 10 formam uma dimensão de learnability.

Exemplos Resolvidos

Exemplo 1: como a resposta se move com pp

text
porcentagem de problemas de frequência p vistos pelo menos uma vez usuários 1 3 5 8 10 15 20 p=0,05 5,0 14,3 22,6 33,7 40,1 53,7 64,2 p=0,10 10,0 27,1 41,0 57,0 65,1 79,4 87,8 p=0,16 16,0 40,7 58,2 75,2 82,5 92,7 96,9 p=0,31 31,0 67,1 84,4 94,9 97,6 99,6 99,9 p=0,50 50,0 87,5 96,9 99,6 99,9 100,0 100,0

Cinco usuários dão 84,4% no pp de Nielsen, 58,2% no de Lewis e 22,6% para problemas que afetam um usuário em vinte. Chegar estritamente a 85% pede 6 usuários em p=0,31p=0{,}31, 11 em p=0,16p=0{,}16, 19 em p=0,10p=0{,}10 e 189 em p=0,01p=0{,}01. Sauro cita 5, 18 e 189 para 31%, 10% e 1%, arredondando 84,4% e 84,99% para cima.

Exemplo 2: quando os problemas diferem

Suponha, sem nenhum estudo por trás, um produto com 40 problemas: dez em cada um de p=0,6p=0{,}6, 0,310{,}31, 0,10{,}1 e 0,020{,}02. O pp médio é 0,25750{,}2575, então a fórmula na média prevê 77,4% com cinco usuários. Tirar a média da fórmula sobre os problemas reais dá 58,5%, uma distância de 19 pontos que vem só da dispersão: 99% dos problemas frequentes são achados, e 10% dos raros.

Para a variação entre testes, sorteie ps = numpy.array([.6]*10 + [.31]*10 + [.1]*10 + [.02]*10) e hits = numpy.random.default_rng(245).random((10000, n, 40)) < ps, depois tome hits.any(axis=1).mean(axis=1), com um gerador novo para cada nn.

text
usuários média achada mínimo pct 5 pct 95 máximo 5 58,5% 35,0% 50,0% 67,5% 77,5% 10 70,2% 52,5% 62,5% 77,5% 92,5% 15 76,2% 60,0% 67,5% 85,0% 92,5%

Um único teste de cinco achou de 35% a 77,5%.

Exemplo 3: pontuando a SUS

Os cinco respondentes abaixo são fictícios, inventados para exercitar a aritmética. Nenhum sistema foi testado.

plaintext
def sus(r): odd = sum(r[i] - 1 for i in range(0, 10, 2)) # itens 1, 3, 5, 7, 9 even = sum(5 - r[i] for i in range(1, 10, 2)) # itens 2, 4, 6, 8, 10 return 2.5 * (odd + even)
text
itens 1 a 10 escore sem inversão (errado) R1 4 2 4 2 4 2 4 2 4 2 75,0 50,0 R2 5 1 5 2 4 2 5 1 4 2 87,5 52,5 R3 3 3 3 3 3 2 4 3 3 3 55,0 50,0 R4 4 2 3 2 4 3 4 2 3 3 65,0 50,0 R5 2 4 2 4 3 4 3 4 2 4 30,0 55,0 média 62,5 51,5

Para R2, as contribuições são 4, 4, 4, 3, 3, 3, 4, 4, 3, 3, que somam 35, e 35×2,5=87,535\times2{,}5=87{,}5. A última coluna subtrai 1 de todo item. As redações positiva e negativa então se cancelam, e todos caem perto de 50, pensem o que pensarem, aqui de 50 a 55. Sauro relata que 11% dos pesquisadores pontuaram a SUS errado por esquecer de inverter os itens pares, e que esses erros ainda produzem escores de aparência válida.

Marcar sempre a mesma opção também se esconde. Quem responde 5 em tudo fica com 50, assim como quem responde só 3 ou só 1, então concordar com itens positivos e negativos parece um escore neutro.

Exemplo 4: o que cinco escores podem dizer

A amostra fictícia tem média 62,5 e desvio padrão 21,8. Com t0,975;4=2,776t_{0{,}975;4}=2{,}776, o intervalo de 95% é 62,5±27,162{,}5\pm27{,}1, ou seja, de 35,4 a 89,6. Contra 68, um teste tt de uma amostra dá p=0,60p=0{,}60.

Lewis e Sauro dão 17,7 como desvio padrão típico da SUS. Nesse valor, um intervalo de ±10\pm10 pede 15 respondentes e ±5\pm5 pede 51, com o cálculo iterativo do tt. Para mostrar uma média 10 pontos acima de um benchmark (unicaudal, 95% de confiança, 80% de poder), a tabela deles dá 21, e o mesmo cálculo a reproduz.

Taxas de conclusão se comportam igual. Cinco sucessos em cinco têm intervalo de Wilson de 95% de 56,6% a 100%, e 20 em 20 começa em 83,9%. aggregation-variability-and-reporting defende relatar essa variabilidade junto com qualquer média.

Equívocos Comuns e Armadilhas

  • "Cinco usuários acham 85% dos problemas." O número exige p=0,31p=0{,}31, uma população e as mesmas tarefas, e conta os problemas frequentes o bastante para aparecer.
  • "68 é a nota de aprovação." É a média de um banco de dados específico. As faixas de Bangor e as notas de Sauro são modos diferentes de lê-la.
  • "Falar em voz alta não afeta os dados." Afeta pelo menos o tempo, então não relate tempos de think-aloud como benchmark.

Resumo

O think-aloud tem formas concorrente, retrospectiva e com sondagens, e falar contamina o tempo de tarefa. A fórmula 1−(1−p)n1-(1-p)^n torna "cinco usuários" verdadeiro para uma população, um conjunto de tarefas e problemas perto de p=0,31p=0{,}31: em p=0,10p=0{,}10, cinco usuários dão 41%, e frequências misturadas dão bem menos do que a média sugere. Cinco é um bom tamanho de rodada e uma amostra ruim para números. A SUS soma itens ímpares menos 1 e 5 menos itens pares e multiplica por 2,5. Ela não é porcentagem, e sua média de 68 vem do banco de dados de Sauro, de cerca de 500 estudos.

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