Lei de Fitts e Lei de Hick
Objetivos de Aprendizagem
- Enunciar as formulações de Fitts, Welford e Shannon e dizer de quem é cada uma.
- Ajustar e por regressão em dados publicados, para um dispositivo e uma tarefa.
- Calcular o índice de dificuldade para tamanhos reais de alvos, separando medido de suposto.
- Enunciar a lei de Hick, suas condições e o efeito de prática e compatibilidade.
- Explicar por que Hick não pede menus curtos e onde cada modelo deixa de valer.
Contexto e Motivação
mental-models-and-the-gulfs-of-execution-and-evaluation descreveu a execução como um estágio da ação. Estes dois modelos medem pedaços dela: o tempo de mirar e o tempo de escolher. Os dois vêm da psicologia experimental dos anos 1950, quando a teoria da informação era nova, e costumam ser esticados. O objetivo é rodá-los direito e saber quando nada dizem.
Teoria Central
O experimento de Fitts
Fitts (1954) fez quatro experimentos, dois deles de toque recíproco com estilete (1 oz e 1 lb). Neles, o participante movia o estilete entre duas placas o mais rápido possível, tocando seus centros. Fitts cruzou quatro amplitudes com quatro larguras . MacKenzie (2018) reproduz os dados resumidos do estilete de 1 oz e informa 16 participantes, com cada média formada por mais de 600 observações.
Fitts definiu um índice de dificuldade em bits, por analogia com a capacidade de canal de Shannon: distância como sinal, largura como ruído. Sua tese era que a taxa fica mais ou menos constante.
Três formulações
| Formulação | Índice de dificuldade | Fonte |
|---|---|---|
| Fitts | Fitts (1954) | |
| Welford | Welford (1960, 1968) | |
| Shannon | MacKenzie (1989, 1992), analogia direta com o teorema de Shannon |
Esta lição usa a formulação de Shannon para prever, porque ela não fica negativa para nenhum positivo, ao contrário das outras duas com pequeno. A equação de predição é
em que e vêm de regressão num dispositivo, tarefa e grupo. MacKenzie observa que essa equação não aparece na publicação de 1954: Fitts dividia ID por MT diretamente, e a forma de regressão veio depois. Um intercepto positivo pode absorver custos sem relação com a dificuldade, como apertar um botão. Coeficientes não viajam: seu levantamento de 1992 sobre estudos de dispositivos achou índices de desempenho de 1,1 a 13,7 bits/s e interceptos de a ms, com discordância até para o mesmo dispositivo.
Largura efetiva e throughput
O modelo de Fitts supõe tacitamente que 96% dos toques caem no alvo. Quando a taxa de erro difere de 4%, a largura do alvo é trocada por uma largura efetiva , que é dos pontos finais. O método da ISO 9241-9, hoje ISO 9241-411, usa isso para relatar throughput em bits/s, combinando velocidade e precisão. O throughput mede; a reta de regressão prevê.
Lei de Hick: fórmula e condições
Hick (1952) e Hyman (1953) estudaram o tempo de reação de escolha. Na forma comum, como dada por Liu e colegas (2020), cuja revisão é a fonte dos detalhes experimentais abaixo,
A versão do livro de Card e colegas usa . Os experimentos do próprio Hick favoreceram o , que responde pela incerteza sobre se um estímulo vai ocorrer. Esta lição usa para e mostra as duas no Exemplo 3.
O aparato de Hick explica as hipóteses. Dez lâmpadas em círculo irregular acendiam uma ao acaso, a cada 5 segundos, e cada dedo ficava numa chave Morse associada a uma lâmpada. No primeiro experimento, Hick foi o único participante, depois de mais de 8.000 tentativas de treino. Hyman variou a entropia pelo número de estímulos, por suas probabilidades e por dependências sequenciais. A lei trata, portanto, de um mapeamento estímulo-resposta aprendido e arbitrário, com um estímulo que chega sem aviso e uma resposta de duração desprezível.
Liu e colegas enunciam o resultado assim: o tempo de reação de escolha numa tarefa simples cresce linearmente com a entropia do estímulo, na faixa de 1 a 4 bits. A inclinação cai com maior compatibilidade estímulo-resposta e com mais treino, e com aprendizado suficiente esses efeitos podem cair quase a zero.
O que achata a lei de Hick
- Compatibilidade. A tarefa de lâmpadas e chaves de Hick deu cerca de 200 ms/bit. Apertar uma tecla que vibra sob o dedo (Leonard) ou ler dígitos em voz alta (Mowbray) praticamente não mostrou efeito da incerteza.
- Prática. Knight e Dagnall relataram inclinações caindo de 73 para 23 ms/bit depois de dois meses. Seibel relatou quase nenhuma diferença entre 31 e 1.023 alternativas depois de mais de 75.000 tentativas.
- Interfaces. Liu e colegas reanalisaram duas tarefas de seleção com comandos destacados e acharam 32 e 8 ms/bit num tablet e 4 ms/bit com mouse.
Na maioria das interfaces o mapeamento é muito compatível: o alvo é aquilo que se procurava. A conclusão deles é que, em tarefas de IHC, o tempo de reação de escolha muitas vezes pode ser tratado como constante.
O que a lei de Hick não sustenta
A leitura popular é "mantenha os menus curtos". Liu e colegas argumentam que a lei, tomada ao pé da letra, diz o contrário, porque o logaritmo é côncavo. Dividir itens em páginas ou categorias custa mais, como roda o Exemplo 4. Eles supõem, para efeito de raciocínio, que a lei se aplica. Pode haver boas razões para menus curtos, mas elas estão em outro lugar, sobretudo na busca visual. Se a pessoa examina os itens um a um, o tempo cresce linearmente com , e esse caso favorece agrupar por categoria.
Curva logarítmica também não implica lei de Hick. Busca hierárquica (Landauer e Nachbar) e rolagem de um menu alfabético (Cockburn e Gutwin) podem ser logarítmicas por uma estratégia de dividir para conquistar.
Onde cada modelo para
| Situação | Fitts | Hick |
|---|---|---|
| Dedo em alvos de toque pequenos | Fraco: use FFitts (Exemplo 2) | Não é a questão |
| Especialista com atalhos | Silencioso: sem mira, ou sem ponteiro | Inclinação perto de zero com prática |
| Procurar um item | Silencioso: o modelo começa com o alvo já conhecido | Não se aplica: varredura linear não é reação de escolha |
| Movimento lento e cuidadoso | Fraco: modela movimento rápido e dirigido | Não é a questão |
| Alvos muito fáceis | Curva para cima abaixo de ID 3 em alguns dados | Não é a questão |
| Muitas alternativas, acima de 4 bits | Não é a questão | Costuma superestimar; a faixa depende da tarefa |
| Alvos na borda da tela | Mouse ganha, toque não (NN/g, 2022) | Não é a questão |
Células silenciosas são leitura desta lição; as outras vêm das fontes acima.
Exemplos Resolvidos
Exemplo 1: regressão nos dados do estilete de 1 oz
Os tempos de movimento vêm de Fitts (1954), tabulados por MacKenzie (2018). Tempos em ms, e em polegadas.
textW \ A 2 4 8 16 0,25 392 484 580 731 0,50 281 372 469 595 1,00 212 260 357 481 2,00 180 203 279 388
plaintextimport numpy as np from scipy import stats A = np.array([2, 4, 8, 16] * 4, float) W = np.repeat([0.25, 0.5, 1, 2], 4) MT = np.array([392, 484, 580, 731, 281, 372, 469, 595, 212, 260, 357, 481, 180, 203, 279, 388], float) We = np.array([.243, .244, .235, .247, .444, .468, .446, .468, .725, .812, .914, .832, 1.020, 1.233, 1.576, 1.519]) models = {"Fitts, W ": np.log2(2 * A / W), "Welford, W ": np.log2(A / W + 0.5), "Shannon, W ": np.log2(A / W + 1), "Fitts, We": np.log2(2 * A / We), "Shannon, We": np.log2(A / We + 1)} for name, ID in models.items(): f = stats.linregress(ID, MT) print(f"{name} ID {ID.min():.2f}-{ID.max():.2f} a={f.intercept:7.2f}" f" b={f.slope:6.2f} r2={f.rvalue**2:.4f}")
textFitts, W ID 1.00-7.00 a= 12.80 b= 94.67 r2=0.9664 Welford, W ID 0.58-6.01 a= 65.36 b=103.79 r2=0.9802 Shannon, W ID 1.00-6.02 a= 27.69 b=111.54 r2=0.9873 Fitts, We ID 1.97-7.02 a= -73.19 b=108.89 r2=0.9814 Shannon, We ID 1.57-6.04 a= -31.43 b=121.98 r2=0.9877
A primeira linha reproduz o de MacKenzie, e a última sua reanálise (). Todas as linhas ajustam as mesmas 16 médias, então a comparação é justa. A melhora está no lado fácil: em , observados 180 ms, o ajuste de Fitts prevê 107 ms e o de Shannon, 139 ms.
A última linha mostra também uma armadilha. O intercepto é negativo, então a reta chega a tempo zero em bits. Isso está fora dos dados e alerta contra extrapolar. São números de um estilete de 1954, então nenhum deles prevê um mouse ou um dedo hoje. Dobrar de 8 para 16 acrescenta 0,92 bits, o que custa 102 ms com a inclinação de Shannon. Reduzir à metade tem o mesmo efeito na fórmula, embora em estudos como Sheridan (1979) estreitar o alvo tenha pesado mais que a distância.
Exemplo 2: tamanhos reais de alvos, e onde o toque quebra o modelo
A WCAG 2.2 fixa 24 por 24 pixels CSS como mínimo do Nível AA (Critério de Sucesso 2.5.8, que tem exceções como espaçamento suficiente) e 44 por 44 para o Nível AAA (2.5.5). A uma distância de 400 pixels CSS, escolhida para este exemplo:
textW = 24: ID = log2(400/24 + 1) = 4,14 bits W = 44: ID = log2(400/44 + 1) = 3,33 bits diferença 0,81 bits
O ID não depende de dispositivo, mas um tempo precisa de uma inclinação. Tome ms/bit, valor suposto perto do inverso de um throughput típico de mouse (MacKenzie dá cerca de 4 a 5 bits/s). O alvo maior economiza então cerca de 160 ms por seleção, e se cancela na diferença.
Com dedos, a própria fórmula enfraquece. Bi, Li e Zhai (2013) rodaram uma tarefa 1D num celular com 12 participantes, usando o indicador. Cada condição teve 16 tentativas.
textA W erro ID nominal ID efetivo ID FFitts tempo (ms) 20 2,4 29% 3,22 2,32 2,89 432 30 2,4 38% 3,75 2,69 3,13 483 20 4,8 14% 2,37 2,07 2,34 383 30 4,8 11% 2,86 2,53 2,82 433 20 7,2 3% 1,92 1,97 2,18 367 30 7,2 6% 2,37 2,34 2,53 394
Tamanhos em mm. Regredindo o tempo em cada índice:
textID nominal T = 243,8 + 62,4 ID R2 = 0,956 ID efetivo T = 77,7 + 145,5 ID R2 = 0,862 ID FFitts T = 109,8 + 115,4 ID R2 = 0,958
A terceira linha bate com o ajuste publicado. O argumento deles é que o dedo tem uma imprecisão absoluta que a velocidade não muda. O FFitts retira esse componente, , da dispersão dos pontos finais. A largura efetiva supõe que toda dispersão é escolha de velocidade, então vai mal aqui. Em 2,4 mm, a largura efetiva foi mais que o dobro da nominal. Note que o ajuste nominal parece ótimo com enquanto esconde taxas de erro de até 38%. Uma previsão de tempo nada diz sobre esses erros.
Suponha 160 pixels CSS por polegada: 24 px viram 3,8 mm, entre as linhas de 2,4 e 4,8 mm, e 44 px viram 7,0 mm, perto da de 7,2 mm. É uma comparação grosseira, não um teste da WCAG. O estudo mediu alvos isolados, e o 2.5.8 também trata do espaçamento aos vizinhos.
Exemplo 3: o tamanho de um efeito de Hick
Ir de 4 para 32 opções acrescenta 3 bits com , ou 2,72 com . Multiplique os 3 bits por inclinações relatadas:
textHick, lâmpadas e chaves ~200 ms/bit 600 ms Knight e Dagnall, início 73 ms/bit 219 ms Knight e Dagnall, fim 23 ms/bit 69 ms Seleção de comando, mouse 4 ms/bit 12 ms
Essas inclinações vêm de tarefas diferentes: é noção de escala, não comparação única. Probabilidades desiguais também reduzem o custo. Para 8 itens com frequências proporcionais a (forma de Zipf, suposta aqui), bits contra 3,00 com frequências iguais.
Exemplo 4: 32 itens, três layouts
Seguindo Liu e colegas, compare uma página, 4 páginas aleatórias de 8 e 4 categorias de 8, com s e s/bit supostos. Acrescente uma varredura linear a 0,25 s por item, suposto, parando no alvo e ignorando a troca de página.
textLayout Forma de Hick Hick Varredura Uma página de 32 a + 5b 0,95 s 16,5 itens 4,13 s 4 páginas aleatórias 2,5(a + 3b) 1,63 s 16,5 itens 4,13 s 4 categorias de 8 2a + 5b 1,15 s 7,0 itens 1,75 s
A coluna de Hick favorece uma página plana. A da varredura favorece categorias, supondo que a pessoa saiba a categoria. Logo, "dividir o menu" decorre da busca, não de Hick.
Agora acrescente o apontar. Tome um menu vertical com itens de altura e ponteiro logo acima do primeiro item, então , , , com alvos equiprováveis. Use o ms/bit suposto, a taxa de varredura suposta de 0,25 s por item e nenhum intercepto:
textn ID médio especialista: apontar novato: varredura + apontar 8 2,31 462 ms 1587 ms 16 3,02 604 ms 2729 ms 32 3,83 767 ms 4892 ms
É uma construção didática, não uma medição. Para o especialista, que já sabe a posição, dobrar a lista acrescenta cerca de 150 ms; para o novato, a busca domina.
Equívocos Comuns e Armadilhas
- "A lei de Hick diz que menus devem ser curtos." Ela trata de reação de escolha e, ao pé da letra, favorece uma lista longa.
- "A lei de Fitts dá o tempo deste botão." Só com e medidos para aquele dispositivo, tarefa e população.
Resumo
A lei de Fitts prevê o tempo de movimento dirigido com , aqui na forma de Shannon de MacKenzie, . Coeficientes pertencem a um dispositivo e a uma tarefa, e a largura efetiva corrige os erros. Para alvos de toque pequenos, o FFitts modela a imprecisão absoluta do dedo. A lei de Hick liga o tempo de reação de escolha à entropia em tarefas simples e treinadas, de 1 a 4 bits, e compatibilidade e prática a achatam. Ela não sustenta menus curtos: esse argumento se apoia na busca visual, que nenhum dos dois modelos cobre.
Documentation Links
- MacKenzie (2018): Fitts' Law
- MacKenzie (1992): Fitts' Law as a Research and Design Tool in HCI
- Liu et al. (2020): How Relevant is Hick's Law for HCI?
- Bi, Li, and Zhai (2013): FFitts Law
- Budiu (2022): Fitts's Law and Its Applications in UX
- W3C: Understanding SC 2.5.8 Target Size (Minimum)
- W3C: Understanding SC 2.5.5 Target Size (Enhanced)