Usabilidade e sua Definição (ISO 9241-11)
Objetivos de Aprendizagem
- Enunciar de que a ISO 9241-11 faz a usabilidade depender, e dizer de qual edição vem uma dada redação.
- Listar o que fontes abertas relatam sobre a revisão de 2018 e reconhecer o que elas não mostram, já que o texto da norma é vendido.
- Transformar eficácia, eficiência e satisfação em medidas sobre uma tarefa concreta, com regra de contagem declarada.
- Mostrar com um exemplo calculado que duas medidas das mesmas sessões podem ordenar dois designs em sentidos opostos.
- Separar o modelo da ISO dos cinco componentes de Nielsen e da característica do lado do produto na ISO/IEC 25010.
Contexto e Motivação
fitts-law-and-hicks-law prevê o tempo de um movimento de apontar ou de uma escolha. Esses modelos não dizem se a pessoa conseguiu o que veio buscar. "Este app é fácil de usar" tem o problema oposto: fala do resultado inteiro, mas não nomeia pessoa, objetivo nem situação, então nenhum teste consegue reprová-la.
Lewis e Sauro (2020) contam que, nas décadas de 1980 e 1990, a área não tinha definição acordada, e que a Parte 11 da ISO 9241 foi a resposta: primeiro rascunho em 1988, primeira edição publicada em 15 de março de 1998, substituída em 2018. O preço da precisão é que usabilidade deixa de ser uma propriedade única. Vira uma afirmação sobre usuários, objetivos e contexto especificados, e é isso que a torna mensurável.
Teoria Central
O que as fontes gratuitas mostram
O texto da ISO 9241-11 é vendido, então toda redação abaixo vem de uma fonte aberta que a relata, e cada fonte é nomeada. Duas delas imprimem uma frase apresentada como a definição, e a citação fica no inglês original:
| Fonte | Edição | Redação como impressa ali |
|---|---|---|
| Speicher (arXiv, citando a ISO 9241-11:1998) | 1998 | "The extent to which a product can be used by specified users to achieve specified goals with effectiveness, efficiency and satisfaction in a specified context of use." |
| Página da W3C WAI, atualizada em 6 de maio de 2016 | Não nomeia edição; é anterior a 2018 | "extent to which a product can be used by specified users to achieve specified goals effectively, efficiently and with satisfaction in a specified context of use" |
As duas diferem no trecho do meio, e só o texto comprado decide qual é literal. Trate ambas como relatos. Nenhuma é a frase de 2018, e nenhuma redação de 2018 é citada aqui, porque as fontes usadas para a revisão descrevem as mudanças sem reimprimir essa frase.
O que a definição exige
Leia a frase de 1998 como um formulário com lacunas. Speicher a transforma numa quíntupla:
em que LEVEL diz se as métricas são internas, externas ou de uso. O argumento dele é que "usabilidade" não nomeia nada até os elementos terem valores. Ele cita a observação de Brooke: "Usability does not exist in any absolute sense; it can only be defined with reference to particular contexts."
Yamauchi e Ito, resumindo a edição de 1998, listam o que medir exige: uma descrição dos objetivos pretendidos, uma descrição do contexto (usuários, tarefas, equipamento, ambientes), valores-alvo de eficácia, eficiência e satisfação, e pelo menos uma medida de cada. Acrescentam que a norma não dá regra concreta para escolher as medidas, porque a importância relativa dos atributos depende do contexto e do propósito.
Os três componentes na edição de 1998
A coluna do meio é o resumo de Yamauchi e Ito, e a última é a lista de exemplos que Lewis e Sauro relatam da edição de 1998.
| Componente | Sentido em 1998 | Medidas de exemplo |
|---|---|---|
| Eficácia (effectiveness) | Acurácia e completude com que os usuários atingem os objetivos especificados | Porcentagem de objetivos atingidos; porcentagem de usuários que completam a tarefa; acurácia média das tarefas completadas |
| Eficiência (efficiency) | Recursos gastos em relação a essa acurácia e completude | Tempo para completar a tarefa; tarefas completadas por unidade de tempo; custo monetário de realizar a tarefa |
| Satisfação (satisfaction) | Ausência de desconforto e atitudes positivas em relação ao uso | Escala de avaliação; frequência de uso voluntário; frequência de reclamações |
Nada aqui é fórmula. Cada linha é uma família de medidas, e o estudo precisa escolher uma e defini-la.
O que a revisão de 2018 mudou (livro vs hoje)
A nota de alterações no registro de catálogo da DIN compara a DIN EN ISO 9241-11:2018-11 com a antecessora alemã de 1999. Ela está em alemão, e isto é um resumo traduzido:
- O título mudou. A referência de Speicher dá o título da parte em 1998 como Guidance on usability, e o registro dá Usability: Definitions and concepts para 2018.
- O escopo foi ampliado para incluir sistemas e serviços.
- Considera-se uma faixa maior de objetivos, incluindo resultados pessoais e organizacionais.
- A eficiência passa a ser definida em relação aos resultados alcançados, e não à acurácia e completude.
- A satisfação passa a considerar uma faixa maior de aspectos.
O resumo de escopo do registro acrescenta que o documento explica a usabilidade como resultado do uso, e que ele se aplica a sistemas interativos e outros (inclusive ambientes construídos), produtos e serviços.
Lewis e Sauro acrescentam dois pontos da revisão: foram incluídas as possíveis consequências negativas do uso (saúde, segurança, proteção, privacidade, confiança), e o rascunho revisado deixou de dar orientação específica sobre como medir usabilidade. Eles observam que a orientação se mudou, não sumiu: a ISO/IEC 25066 cobre o formato de relatório e a ISO/IEC 25022, as medidas.
Portanto, um livro que diz "a product" e define eficiência por acurácia e completude está relatando 1998. Os conceitos em si continuam: Lewis e Sauro, citando Bevan et al. (2016), dizem que a nova versão os manteve, ampliando o escopo.
Resultado do uso, não propriedade do artefato
Como usabilidade é um resultado, uma interface não tem um número único de usabilidade. the-iso-iec-25010-quality-model cita a edição de 2023 daquela norma chamando interaction capability de "a prerequisite for usability": a característica do lado do produto é algo que você constrói, e a eficácia, a eficiência e a satisfação do uso real são o que você observa depois.
Acessibilidade cabe no mesmo formulário. A página da W3C observa que a definição poderia cobri-la quando os "specified users" incluem pessoas com diversas deficiências e o contexto inclui tecnologias assistivas, e que a prática de usabilidade muitas vezes não considera essas necessidades. As lacunas decidem quem conta.
Outro modelo: os cinco componentes de Nielsen
O artigo "Usability 101" de Nielsen (2012, revisado em 15 de julho de 2026) define usabilidade por cinco componentes de qualidade: learnability, efficiency, memorability, errors e satisfaction. Ele a separa de utility e define usefulness como usability mais utility. A efficiency dele significa com que rapidez os usuários fazem as tarefas depois de aprender o design, o que é mais estreito que a eficiência da ISO. Dizer "eficiência" num relatório sem dizer qual convida a uma discussão sobre nada.
Medidas não substituem umas às outras
Sauro (2011) relata que escores SUS pós-teste se correlacionam com conclusão de tarefa e tempo em torno de , o que ele lê como cerca de 6% da variância. Pessoas podem encontrar problemas graves e ainda dar nota alta. Isso dá à exigência de 1998, de uma medida para cada atributo, uma base prática: um número não representa os outros de forma confiável.
Exemplos Resolvidos
Todos os números desta seção são fictícios. Foram escritos para esta lição, só para exercitar a aritmética, e nenhum estudo assim existe.
Exemplo 1: preenchendo as lacunas
textProduto site de agendamento de clínica, versão 3 Usuários pacientes adultos agendando pela primeira vez, sem treino Objetivo marcar consulta com clínico geral em data e hora indicadas Contexto celular próprio, dados móveis, sem ajuda da equipe Nível de uso
Agora os três componentes têm referência. Sucesso significa que a consulta existe, com médico, data e hora certos, e que o paciente recebeu a confirmação. Dizer isso antes das sessões importa, como mostra o Exemplo 3.
Uma segunda afirmação de usabilidade, sobre uma recepcionista que agenda para um paciente num desktop, de headset, usa o mesmo produto e tem outros usuários, outro objetivo e outro contexto. Um resultado de uma não diz nada direto sobre a outra.
Exemplo 2: três medidas, um conjunto de sessões
O design A é um formulário único. O design B acrescenta uma tela de revisão antes de confirmar. São doze sessões fictícias por design, com nota de 1 a 7 depois da tarefa:
textDesign A Design B sucessos estritos 8/12 11/12 taxa de sucesso 66.7% 91.7% intervalo de Wilson de 95% 39-86% 65-99% tempo médio, só sucessos 120.0 s 199.5 s tempo médio, as 12 sessões 166.25 s 201.25 s tempo total 33.25 min 40.25 min sucessos por minuto 0.241 0.273 nota média 4.33 5.17 nota média, só sucessos 5.25 5.27
O tempo médio entre os sucessos diz que A é mais rápido por quase 80 segundos. Sucessos por minuto de tempo total, a medida de tarefas por unidade de tempo da lista de 1998, diz que B está à frente por cerca de 14%, já que as três sessões abandonadas de A (285 a 310 s) custaram tempo e não renderam nada. Os dois números estão corretos e respondem a perguntas diferentes. Filtrar por sucessos esconde as falhas, então diga qual você usou.
A nota segue o mesmo padrão: a diferença de 0,83 ponto quase some entre os sucessos, então ela vem das sessões que falharam.
Nada disso prova que B é melhor. Os intervalos se sobrepõem bastante, e um teste exato de Fisher bicaudal de 8/12 contra 11/12 dá . Doze sessões mostram uma direção, não uma diferença resolvida.
Exemplo 3: a regra de contagem move a eficácia
Uma sessão em cada design marcou a data errada. O artigo de Nielsen sobre taxa de sucesso (2001, revisado em 2021) chama data errada de problema maior numa tarefa de pedido parecida, e descreve tanto a pontuação estrita quanto níveis de sucesso parcial.
textDesign A Design B data errada = falha 8/12 = 66.7% 11/12 = 91.7% data errada = sucesso 9/12 = 75.0% 12/12 = 100%
Numa clínica, o paciente que chega no dia errado não atingiu o objetivo, então a pontuação estrita faz sentido. Em outro produto, um deslize menor poderia contar. A regra pertence ao plano, escrita antes de os dados existirem, porque depois de ver 12/12 ninguém defende a mais rígida.
Exemplo 4: de um requisito vago a um requisito testável
"O fluxo de agendamento deve ser fácil de usar" não tem como falhar. Usando as lacunas do Exemplo 1:
textPara pacientes adultos de primeira vez, no próprio celular, sem ajuda: eficácia pelo menos 85% marcam o horário correto (regra estrita) eficiência pelo menos 0.25 sucesso por minuto de tempo total satisfação nota média pós-tarefa de pelo menos 5 em 7
As metas são escolhas para esta clínica fictícia, não valores de norma alguma. Os 91,7% do design B passam da primeira meta, mas o limite inferior de Wilson é 64,6%, então doze sessões não mostram que a taxa verdadeira chega a 85%. Com 18 de 20 a taxa é 90%, e o intervalo ainda vai de 69,9% a 97,2%. O conselho habitual de Nielsen, de 20 usuários por design para métricas (2001), é uma regra prática para um intervalo razoavelmente estreito, e uma proporção perto de uma meta exigente pode pedir mais. O tamanho de amostra volta em usability-testing-and-the-system-usability-scale.
Equívocos Comuns e Armadilhas
- "Este produto tem alta usabilidade." Sem usuários, objetivos e contexto, a frase não tem valor de verdade. O Exemplo 1 mostra duas afirmações diferentes sobre um produto.
- "A ISO 9241-11 diz como medir usabilidade." No resumo de Yamauchi e Ito, a edição de 1998 não dá regra para escolher medidas, e Lewis e Sauro relatam que a orientação de medição saiu do rascunho revisado para outras normas.
- "Eficiência é tempo de tarefa." Tempo é uma medida. O Exemplo 2 mostra que tempo e sucessos por minuto podem apontar em sentidos opostos.
- "A definição que li no livro é a atual." Se ela diz só "a product", relata a primeira edição ou a segue.
- "Nielsen e a ISO definem a mesma coisa." Compartilham o nome e se sobrepõem em parte. A eficiência da ISO e a de Nielsen não são intercambiáveis.
- "Satisfação decorre de bom desempenho." A correlação de cerca de 0,24 relatada por Sauro é um argumento contra supor isso.
Resumo
A ISO 9241-11 amarra a usabilidade a usuários, objetivos e contexto de uso especificados, e a julga por eficácia, eficiência e satisfação. A redação de 1998 fala de um produto. Segundo a nota de alterações da DIN, a edição de 2018 ampliou o escopo para sistemas e serviços, alargou os objetivos, redefiniu a eficiência em relação aos resultados alcançados e ampliou a satisfação, e Lewis e Sauro relatam que a orientação de medição foi para outras normas. A redação literal está no texto vendido, então fontes abertas são relatos e precisam ser rotuladas por edição. Cada componente só vira medida com uma regra de contagem fixada antes. Medidas podem discordar nas mesmas sessões, e amostras pequenas mostram uma direção mais vezes do que um veredito.
Documentation Links
- DIN Media: DIN EN ISO 9241-11:2018-11
- Lewis and Sauro (2020): Where Did the ISO 9241 Definition of Usability Come From, and Where Is It Going?
- W3C WAI: Accessibility, Usability, and Inclusion
- Speicher: What is Usability?
- Yamauchi and Ito: A Method of Evaluating Effect of QoS Degradation
- Nielsen: Usability 101
- Nielsen: Success Rate, the Simplest Usability Metric
- Nielsen: Usability Metrics
- Sauro (2011): Measuring Usability with the System Usability Scale